TALVEZ- Pablo Neruda


Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

VELHA AMIGA


Reinvento-me e cá estou outra vez.
Pupilas dilatadas não me são novidades.
O frescor das brisas enfim pode me tocar,
pois libertei-me de minhas amarras.
Me recordo de ser pássaro,
sempre livre a cantar.
Hoje a solidão entra pela porta da frente
e não ofereço mais resistência.
Velha amiga, entre.
Entre mas não invada.
Chega de mansinho por favor.
Venha, mas me deixe sentir saudades
e parta quando te pedir.
Se um dia fostes imposta,
agora será cultivada.
Não crie expectativas porém, não preciso de ti.
Apenas quero sorrateiramente olhar em seu rosto
vez ou outra.
Não quero que sejas íntima,
mas que saiba mostrar o que me basta.
Serás bem vinda sempre que quiser reafirmar que eu me basto.


RAIO-X DO AMOR- artistas retratam abraços de casais através de Raio-X



Dois estudantes da Musashino Art University,  no Japão, Ayako Kanda e Mayuka Hayashi, tiveram a curiosa e criativa iniciativa de criar uma obra de arte na qual usariam uma máquina de raio-X e um tomógrafo.
A intenção dos alunos era demonstrar a "natureza finita" do corpo humano, frente a um sentimento tão profundo como o amor.
Kanda e  Hayashi usaram um scanner CT e uma máquina de raio-X para fotografar quatro casais em abraços íntimos e o resultado foi tão surpreendente que eles ganharam o Prêmio de Designer Mitsubishi Chemical júnior pela sua ideia.
Fugindo do conceito tradicional das imagens que retratam casais, os artistas buscaram explicitar a profundidade das relações íntimas, o poder e as consequências ocultas dos envolvimentos amorosos.
Enquanto as fotografias podem ser uma simples extensão de raios-X médicos, eles pintam um quadro ainda misterioso íntimo das relações humanas.






VOCÊ NÃO ME AMA

Você não me ama,
Não me ama e talvez nem saiba.
Você não me ama, mesmo dizendo o contrário.
Ainda que instintivamente, você não me ama.
Você ama a química perfeita que flui entre nós.
Você ama quando falo baixinho
e no seu ouvido coisas que o mundo não deve saber.
Você ama meu jeito e meus conceitos.
Você ama dominar minha mente,
mas você ama ainda mais a incerteza que está lá.
Você ama meus beijos mordidos, secos ou molhados
Ama tanto que corresponde.
Você ama minhas manias chatas e hostis,
Mas você ama detestar essas manias.
Você ama quando grito e fico louca,
de êxtase ou ira, mas você ama.
Você ama me colocar em seus planos,
mas você ainda não sabe que não quer realizá-los
Você ama me amar,
mas você não me ama.
Você não me ama e um dia vai saber disso.
Você não me ama e isso me dá medo.

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