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Ruanda - as lembranças de um passado sombrio


Conhecida como o "país das mil colinas", devido sua característica geográfica (repleta de montanhas e vales), Ruanda foi  classificada em uma reportagem da rede de notícias CNN no ano de 2009, como tendo a história de maior sucesso do continente africano, tendo alcançado estabilidade, crescimento da economia (a renda média triplicou nos últimos dez anos) e integração internacional.
O lançamento de um programa para a redução da pobreza – com medidas como a implementação de um plano de saúde para todos, a melhoria direcionada das oportunidades educacionais como também a promoção da economia privada – já mostrou os primeiros êxitos e reduziu a sua taxa de pobreza em 12 pontos percentuais, para 45% da população.
Nas últimas décadas os ruandeses percorreram um longo caminho de reconciliação e reestruturação, do terror que viveu durante a década de 90, quando o país foi palco de um dos episódios mais sangrentos da história africana: a Guerra Civil da Ruanda.


OS ANTECEDENTES DO GENOCÍDIO

Ruanda foi colonizada no século XIX inicialmente pelos alemães e posteriormente pelos belgas. Baseados em noções equívocas do darwinismo social, os colonizadores belgas proclamaram os tutsis como uma etnia superior aos hutus.
Através de uma série de processos, incluindo várias reformas, o assassinato do rei Mutara III Charles, em 1959 e a fuga do último monarca do clã Nyiginya, o rei Kigeri V, para Uganda, os hutus ganharam mais poder e, na altura da independência, em 1962, os hutus eram os políticos dominantes.
Milhares de tutsis que fugiram do país se refugiaram em Uganda e no Congo, onde receberam treinamento militar e formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR). Em 1990 a FPR invadiu Ruanda e deu início a guerra civil que assolou o país interruptamente por 3 anos, quando foi estabelecido um tratado de paz, no ano de 1993.
Durante este período porém, as potências internacionais como a China e a França, abasteceram ambos os lados com armas e Ruanda se tornou o terceiro país africano em importação de armas.


A ECLOSÃO DO MASSACRE

Na noite de 6 de abril de 1994, um avião que transportava os então presidentes de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e do Burundi, Cyprien Ntaryamira, ambos hutus, foi derrubado e os extremistas hutus imediatamente debitaram a culpa na FPR, que por sua vez defendiam-se afirmando que os próprios hutus haviam planejado o abatimento do avião para reiniciar um conflito, que de fato não havia cessado por completo.
Os extremistas hutus iniciaram um processo cruel de perseguição a minoria tutsi, onde se instaurou a prevalência do ódio e intolerância. Uma lista de opositores foi entregue a milícia hutu, que era responsável pela eliminação dos mesmos, vizinhos e familiares se rebelaram uns contra os outros e até mesmo maridos matavam suas esposas tutsi, temendo uma represália por parte dos hutus. Como o grupo étnico dos indivíduos eram demonstrados na carteira de identidade, no auge do devaneio hutu foram montados bloqueios nas estradas, para impedir a fuga dos tutsis.
Apesar das armas de poderio bélico adquirido anteriormente, os milicianos abatiam seus alvos preferencialmente com facões, apresentando portanto um maior requinte de crueldade.
Apoiada pelo exército da Uganda, a FPR gradualmente foi conquistando território e libertando do terror os tutsis. No dia 04 de julho, exatos três meses após o início do massacre hutu, os soldados da FPR conseguiram o controle da capital Kigali. Milhares de hutus acuados e temerosos da redarguição por parte dos tutsis se refugiaram no Congo, onde milhares de pessoas morreram de cólera, enquanto grupos de ajuda humanitária foram acusados de deixar muito da sua estrutura de assistência cair nas mãos das milícias hutus.

        
AJUDA INTERNACIONAL

Tanto a Bélgica quanto a ONU tinham forças de segurança em Ruanda, mas não foi dado o poder a nenhuma delas de intervenção no conflito, sendo que os belgas e maior parte do contingente da ONU se retiraram do país depois que dez soldados belgas foram mortos. Os EUA estavam determinados a não se envolver em outro conflito africano, depois que soldados norte-americanos foram mortos na Somália.
A França que era aliada dos hutus, enviaram soldados para criar uma zona teoricamente segura, mas foram acusados de não interferirem a fim de colocar fim ao genocídio.


O conflito que durou cem dias, produziu cerca de 800 mil óbitos, muitas mulheres tutsis foram mantidas como escravas sexuais e dessas violações, a ONU estima que tenham nascido entre 250 mil à 500 mil crianças, das quais muitas foram assassinadas.



Entrevista com o jornalista Alexander Kudascheff, de 62 anos (editor-chefe da DW) que cobriu o genocídio em Ruanda:

10 VISÕES ERRÔNEAS DO CONTINENTE AFRICANO - desconstruindo estereótipos

Estereótipos basicamente são representações simplificadas e inconsistentes obtidas através da atribuição generalizada a objetos ou seres designados por uma mesma palavra.
Partindo da proposição de Fairclough (2001) que  nenhum discurso é novo e assimilando a concepção de estereótipo a noção de preconceito, temos em Lima e Pereira (2004) a ideia que “os estereótipos, o preconceito e a discriminação são fenômenos presentes desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos”.
Tendo como base os estereótipos formulados em relação ao continente africano, a jornalista namibiana Christine Vrey, teve a iniciativa de enumerar e desmistificar dez dos mais comuns erros conceituais sobre a África, são eles:

  • A ÁFRICA É UM PAÍS
Comumente segundo Christine, as pessoas assimilam a palavra África a um país, ignorando o fato que o continente africano possui 61 países ou territórios dependentes, e população superior a um bilhão de habitantes, consistindo no segundo continente mais populoso do globo terrestre, atras somente da Ásia.


  • A ÁFRICA É UMA ÁREA TOTALITARIAMENTE DESÉRTICA 
O continente africano possui um riquíssimo ecossistema como a Floresta Equatorial, e biomas característicos como é o caso das savanas, além disso grande parte da vegetação do continente africano encontra-se preservada o que auxilia na conservação de uma gama considerável de espécimes de sua fauna.
Basicamente a região desértica africana, consiste nas porções norte e sudoeste do continente, onde estão localizados os desertos da Namíbia e o do Saara - que é a segunda região mais desértica do mundo, depois da Antártica.


  • AFRICANOS GENERALIZADAMENTE VIVEM EM CABANAS
A rotulação de "continente atrasado" permite que o imaginário coletivo dite que todos os habitantes do continente africano povoem cabanas feitas rusticamente de barro e palha.
Ao contrário disso a África possui vários centros urbanos, onde a maioria esmagadora da população reside, apenas as poucas tribos tradicionalistas remanescentes que permanecem em áreas isoladas, muitas vezes de maneira nômade. 

[Costa do Marfim]
  • COMIDAS AFRICANAS SÃO ESTRANHAS
Como em qualquer civilização os países africanos, mantem muitos de seus pratos tradicionais e isso não obrigatoriamente os torna estranhos, além disso o continente africano tal como toda colônia de grandes potencias foi tomado por muitos de seus costumes, como por exemplo a predileção por fast-foods, sendo que é notável a presença de multinacionais do gênero sobretudo nas capitais.


  • ANIMAIS SELVAGENS ESTÃO POR TODA PARTE
O continente africano possui variedades enormes de espécimes animais, sendo muitos deles encontrados somente lá, porém como em qualquer outro lugar do planeta, esses animais povoam seus habitats naturais, uma vez que as chances de sobrevivência deles em metrópoles seria nula, devido sobretudo a condição desfavorável. 


  • A ÁFRICA É  EXCLUÍDA DIGITALMENTE
Christine afirma que ainda hoje as pessoas se assustam ao saber que na África alguns possuem computadores de ultima geração. O continente africano não se constitui em um lugar isolado do restante do mundo e tal como todos demais países capitalistas aderiram as tecnologias provindas da modernidade, sendo que a defasagem tecnológica do continente em relação a outros são mínimas.


  • EXISTE UM IDIOMA AFRICANO
Originalmente a África era povoada de inúmeras tribos e cada uma possuía seu próprio dialeto, a vexaminosa partilha do continente pelos países imperialistas fez com que não fosse respeitado as similaridades históricas e culturais do povo o que provocou a miscigenação civil, gerando outros tantos dialetos.
Christine explica que na Namíbia por exemplo, existem mais de vinte idiomas usuais. De acordo com pesquisas nenhum país do continente possui menos de cinco dialetos correntes.


  • A ÁFRICA QUASE NÃO TEM HOTÉIS
Segundo Vrey, só nas oito maiores cidades da África do Sul, existem 372 hotéis. Mais um dos diversos resquícios imperialistas no continente é a instalação maciça de hospedarias por parte de gigantes do ramo, sendo que as multinacionais de hotelaria de primeiro mundo estão presentes na maior parte dos países africanos.


  • AFRICANOS NÃO UTILIZAM BANHEIROS CONVENCIONAIS 
Há quem pense, de acordo com a jornalista, que todos os africanos sejam obrigados a fazer suas necessidades atrás do arbusto ou em latrinas a céu aberto. Isso vale, segundo ela, apenas para as áreas desérticas e vilarejos afastados. No geral, uma casa na África dispõe de um vaso sanitário muito semelhante ao seu.


  • TODOS OS AFRICANOS SÃO NEGROS
O imperialismo provocou um intenso processo miscigenacionista no continente africano, tal como a colonização européia na América. Na Namíbia, por exemplo, há famílias africanas brancas descendentes de franceses, holandeses e portugueses.
Mas não há apenas isso: o continente também abriga grandes comunidades de indianos, chineses e malaios, de modo que não se pode falar em “raça africana”.
Christine explica que não existe uma raça negra, muitas pessoas, de acordo com a jornalista, acham que todos os negros são da mesma raça ou grupo étnico. Ela conta que já ouviu pessoas descreverem a própria descendência como sendo, por exemplo, ¼ britânicos, ¼ hispânicos, ¼ russos e ¼ “negros”.
Isso é um engano: há várias características físicas dissonantes entre os povos de pele escura. As diferenças começam pela própria tonalidade: alguns povos têm a pele mais “avermelhada” ou mais marrom do que outros, e alguns são menos escuros, sem levar em conta a miscigenação. Não é possível falar, portanto, em “negros” simplesmente.


OS 10 MELHORES FILMES QUE RETRATAM O CONTINENTE AFRICANO

1- HOTEL RUANDA - 2004 / Terry George

O filme ambientado em Kigali demonstra os horrores da Guerra civil da Ruanda, conflito ocorrido em 1994 ocasionado pela rivalidade entre as etnias hutus e tutsi e que foi responsável por uma das maiores chacinas da segunda metade do século XX.
O longa disserta sobre a história do "hotel de refugiados", como ficou conhecido o Hotel des Mile Collines sob a gerência de Paul Rusesabagina, um hutu que durante o conflito civil protegeu e salvou a vida de cerca de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda.


2- O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA - 2006 / Kevin Macdonald

O filme baseado no livro homônimo de Giles Foden, que rendeu o Ocar de melhor ator para Forest Whitaker, relata a história de um médico escocês que trabalha no principal hospital de uma pequena cidade da Uganda e ao socorrer o presidente do país em visita a cidade, ganha a sua confiança e passa exercer um cargo importante no governo, mas se vê obrigado a ir contra ele ao descobrir suas atitudes questionáveis. 
A obra apesar de ser narrada por um personagem ficcional foi baseada em fatos reais e teve a figura do ditador inspirada pelo militar Idi Amin Dada que ditou a Uganda entre 1971-79, após um golpe de Estado.


3- DIAMANTE DE SANGUE - 2006 / Edward Zwick

Tendo como cenário principal o conflito civil que ocorreu na Serra Leoa na década de 1990, o filme que traz em seu elenco Leonardo DiCaprio e obteve cinco indicações ao Oscar, disserta sobre a problemática dos diamantes contrabandeados (diamantes de sangue) que financiam as guerras que assolam o continente africano e inclui em seu doloroso contexto as crianças alienadas pelos rebeldes com intuito de serem usadas no chamado exército infantil.


4- INVICTUS - 2009 / Clint Eastwood

O filme ambientado na África do sul pós- Apartheid, que tem em seu título uma alusão ao poema do inglês William Ernest Henley, rendeu à Morgan Freeman o Oscar de melhor ator e à Matt Damon à indicação de melhor ator coadjuvante.
A trama disserta sobre os esforços do recém eleito presidente Nelson Mandela para extinguir a segregação e/ou os preconceitos ainda existentes. Para isso ele decide incentivar equipe da seleção nacional de Rúgbi, comandada por Francois Pienaar - um branco - à vencer a Copa do Mundo do gênero esportivo, que será realizado ineditamente no país.
O filme demonstra com maestria o cenário do pós Apartheid sul africano e as dificuldades para superar isto.


5- REPÓRTERES DE GUERRA - 2011 / Steven Silver

Baseado no livro "The Bang-Bang Club: Snapshots from a Hidden War", o filme retrata a história de duas fotografias ganhadoras do prêmio Pulitzer, tendo como cenário os sangrentos conflitos envolvendo as primeiras eleições livres depois do fim do regime de Apartheid que vigorava na África do Sul.
O filme narra as dificuldades e perigos do chamado jornalismo de guerra, mediante a miséria e problemas do continente africano.


6- O JARDINEIRO FIEL - 2005 / Fernando Meirelles

A trama dirigida pelo premiado diretor brasileiro recebeu 3 indicações ao Globo de ouro e 4 indicações ao Oscar, sendo Rachel Weisz vencedora em ambos na categoria de melhor atriz coadjuvante.
A história apresentada em forma de um romance dramático, disserta sobre a gigantesca rede de corrupção da indústria farmacêutica internacional.
Baseado em um romance de John le Carré, o longa mostra a realidade de miséria e exclusão da população do Quênia, que na trama são expostos à testes involuntários e inconscientes por parte de uma indústria farmacêutica. O filme é uma crítica ferrenha à omissão e as armas do capitalismo.


7-  REDENÇÃO - 2011 / Marc Foster

Estrelado por Gerard Butler, o filme narra a verídica história de um pastor que abdica do conforto de sua vida nos EUA para se dedicar as crianças órfãs do Sudão.
O filme relata as atrocidades cometidas pelo exército rebelde durante a guerra civil do Sudão, e traz mais uma vez a realidade vivida pelas crianças convocadas para formar uma milícia infantil e as dificuldades de manutenção de ONG's.


8- A MASSAI BRANCA - 2005 / Hermine Huntgeburth

Baseados em fatos reais e inspirado no best-seller homônimo, o filme disserta sobre o choque cultural e a história de amor entre uma suiça e um guerreiro de uma tribo massai.
O longa demonstra a cultura e tradições da tribo africana massai remanescente do Quênia e seus contrastes com a sociedade moderna, exaltando seus esforços para manutenção e preservação desses costumes.


9- A SOMBRA E A ESCURIDÃO - 1996 / Stephen Hopkins

Ambientado em 1898 (auge da corrida colonialista) quando a África era disputada por franceses, alemães e britânicos; o filme indicado à 6 Oscars incluindo o de melhor filme, narra sobre a história verídica que ocorreu durante a construção de uma ponte sob o rio Tsavo, quando a equipe de operários foram atacados por dois leões a quem os aldeões acreditavam se tratar de espíritos.
O filme demonstra a questão da colonização, dos esteriótipos partilhados na época e as crendices africanas.



10- AMOR SEM FRONTEIRAS - 2003 / Martin Campbell

O filme protagonizado por Angelina Jolie, demonstra de maneira explícita os contrastes entre os países ricos e os subdesenvolvidos. Em uma trama envolvente, o longa narra sobre a difícil tarefa dos voluntários e das organizações não governamentais para se manterem e a vida de sofrimento a que os refugiados de guerra são submetidos.
Demonstrando a triste realidade e problemas enfrentados por países africanos em divergência com ao comodismo e a inércia dos países de "primeiro mundo" frente à estes assuntos.


A CANÇÃO DOS HOMENS - sobre os encantos da África


O continente africano, considerado o berço da humanidade, como todos sabemos foi amplamente devastado pelas potências mundiais, sobretudo no período de colonização. Porém muitos costumes e crenças cruzaram séculos e permanecem até hoje.
Trata-se de especifidades mantidas por gerações apesar do modernismo ter assolado o continente mostrando suas cruéis garras.


Dentre essas tradições está um ato milenar praticado e mantido com vigor por indivíduos de uma tribo primitiva da África, o de conceder a cada novo membro (cada criança) uma canção exclusiva e intransferível  que lhe acompanha por toda vida. Este ato é chamado de Canção dos homens ou ainda Tua canção.


Quando uma mulher descobre-se grávida, ela fica incumbida de se afastar da tribo por um período até o momento que tenha inspiração para elaborar uma canção para a criança. Assim que a canção está composta a mãe a ensina para o pai da criança para que juntos cantem e o bebê se sinta desejado e então depois para toda tribo.
As músicas possuem sempre as mesmas notas, mas se diferem nas palavras usadas e no ritmo, é como se fosse uma identidade musical.
Deste modo quando a criança nasce, a tribo reúne-se e entoam a canção, que lhe é ensinada durante a infância.


A canção acompanha o indivíduo por toda vida, e é entoada sempre que se julga necessário e em todas as etapas importantes da vida, seja ele a passagem da infância para juventude, ou quando atinge a fase adulta e até mesmo quando o indivíduo se casa.


Se em algum momento da vida o indivíduo pratica algum crime ou qualquer tipo de infração, ele é levado até o centro do povoado onde se forma um círculo ao seu redor e a canção é entoada. Desta forma eles resgatam a identidade do indivíduo, eles acreditam que o erro não é contornado pela punição e sim pela demonstração de amor e pela lembrança da verdadeira identidade da pessoa, presente na canção.
Quando "sua alma está para ir-se deste mundo" a tribo se reúne novamente como em seu nascimento e cantam para a viagem.


A "canção dos homens" é uma maneira de ressaltar a individualidade de cada um, de acalentar dias atormentados e de manter viva a esperança e a certeza de quem és.
Esse costume milenar, se tornou conhecido pelo ocidente a partir de um texto elaborado pela escritora africana Tolba Phanem chamado Your song e em seu percurso ela ressalta com maestria a seguinte expressão, que explica de maneira sucinta e eficaz esse costume:

"Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a “tua canção” e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso."


A "canção dos homens" constitui uma das milhares peculiaridades encantadoras da África, que de forma concisa e magnânima demonstra a genialidade e singularidade desse continente e nos convida a pratica do amor e do perdão e nos aconselha a não desistir e quando o peso das dificuldades ou a alegria da vida chegarem mais perto, lembrar quem realmente somos.


Your Song
Tolba Phanem


When a woman of a certain African tribe knows she is pregnant, goes to the jungle with other women, and together they pray and meditate until you get to “The song of the child.”
When a child is born, the community gets together and they sing their song.
Thus, when the child begins his education, people get together and he sings his song.
When you become an adult, they get together again and sing.
When it comes to your wedding, the person hears his song.
Finally, when your soul is going from this world, family and friends are approaching and, like his birth, sing their song to accompany it in the “journey”.
In this African tribe, there is another occasion when men sing the song.
If at some point the person commits a crime or aberrant social act, take you to the center of town and the people of the community form a circle around her.
Then they sing “your song.”
The tribe recognizes that the correction for antisocial behavior is not punishment, is the love and memory of his true identity.
When we recognize our own song, since we have no desire or need to hurt anyone.
Your friends know “your song”. And sing when you forget it.
Those who love you can not be fooled by mistakes you have committed, or dark images you show to others.
They remember your beauty as you feel ugly, your total when you’re broke, your innocence when you feel guilty and your purpose when you’re confused.



SUDÃO DO SUL- liberdade sangrenta


A Conferência de Berlim realizada no final do século XIX e que partilhou a África entre as potências da época, desrespeitando as diferenças étnicas, culturais ou ainda mesmo geográficas; trouxe consequências extremamente desastrosas para o povo africano.
As guerras civis no continente africano se tornaram constantes e massacres como os ocorridos em  Ruanda e Burundi demonstram o quão equivocadas foram as decisões tomadas em Berlim.
Nutridos por ódio e indignação, as guerras étnicas surgem como uma opção de corrigir o erro ocasionado pelas potências.
E foi seguindo este contexto que o Sudão, um país do coração africano entrou em uma das mais duradouras guerras civis da história do continente, que resultou na independência e formação do Sudão do Sul, um país que já nasceu com um preocupante status: o de país mais pobre do mundo!



Entendendo o movimento de independência do Sudão do Sul

O Sudão tem diferenças em relação ao seu norte e sul gritantes, enquanto a maioria da população do norte é muçulmana e fala árabe; o sul é composto de vários grupos étnicos, de maioria cristã ou animista. Além disso, o norte é desértico enquanto o sul é repleto de selvas e pântanos.
Os conflitos entre o Sudão e a parte sul geraram duas guerras civis (a primeira entre 1955-72 e a segunda entre 1983-2005) que foram responsáveis por centenas de óbitos, neste que foi um dos mais mortíferos conflitos do fim do século XX.
Em 1983, quando o então presidente Jafar Numeri tentou impor a lei islâmica no sul do país onde a maioria é cristã (como já dito), teve início não só a segunda guerra civil do país como também o projeto de independência ganhou força.
Em 9 de janeiro de 2005 foi assinado o Tratado de Naivasha, um acordo de paz assinado entre o governo do Sudão e os rebeldes do sul.
O acordo porém não pós fim a luta pela independência, em janeiro de 2011 foi realizado um referendo estipulado pelo Acordo de Paz Global de 2005 e assinado pelo Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM) mostrou que 98,83% dos cidadãos do sul eram a favor da independência. Assim seis meses depois, no dia 09 de julho de 2011, nasceu o Sudão do Sul, tendo:

* capital: Juba
* língua oficial: inglês
* moeda: libra sul-sudanesa
* população: 10,6 milhões de habitantes
* área: 644.329 km²



Um novo país e suas dificuldades em continuar existindo

No mesmo mês de sua fundação, o país tornou-se membro da Organização das Nações Unidas e da União Africana.
A realidade do país mais jovem do planeta porém, se mostra desanimador e coleciona colocações em rankings preocupantes.
Atualmente o Sudão do Sul é o país onde mais morrem grávidas e recém-nascidos; cerca de 73% da população adulta é analfabeta, sendo que a taxa de escolarização no ensino fundamental é de 6%, o PIB do país ainda é desconhecido e 85% da população não tem acesso à postos de saúde.
O país concentra 80% do petróleo sudanês, mas depende das refinarias do norte para exportar, fato que gerou  o fechamento das reservas petrolíferas no país, o que provocou uma queda de 98% da renda do país.
Além desses fatores, o país enfrenta o maior de seus problemas: a superpopulação, provocada pela grande massa de refugiados que outrora abandonaram o país devido as guerras tribais e agora retornam à seus lares.
A luta para existência é intensa e árdua, porém o fato relevante atualmente é que o Sudão do Sul é um pobre país de refugiados.





REDENÇÃO - heroísmo ambíguo


título original: Machine Gun Preacher
direção: Marc Foster
elenco: Gerard Butler, Michelle Monaghan
duração: 129 min.
país: E.U.A

Dirigido pelo diretor Marc Foster o filme Redenção, relata de forma magistral a verídica história de Sam Childers, um ex traficante arrependido que se dedica a salvar crianças na zona de guerra do Sudão.
Gerard Butler dá vida a Sam, um homem cruel e destemido que vencido por insistentes tentativas vãs de sua mulher em lhe salvar de sua vida arriscada, é acometido pelo arrependimento e decide mudar radicalmente.
Sam então se torna um homem religioso e conhece a realidade trágica do continente africano, se tornando posteriormente um voluntário no Sudão, onde se confronta com as mais desumanas situações, provocadas pela guerra civil que arremete o país. Movido por essa inconformidade da quietação das pessoas frente à algo como uma guerra estritamente violenta, Sam inaugura sua própria igreja, onde se torna pastor e decide utilizar os lucros gerados no recinto para abrir um orfanato e dar aparato as crianças afetadas pelo sangrento conflito, onde é chamado de "preacher white".
Obrigado a balancear a conturbada vida pessoal e as ameaças constantes do conflito eminente contra os rebeldes, Sam inicia uma fantástica história de heroísmo, embora que para isso utilize de modos não convencionais, tal qual a retalhação também violenta face as ameaças rebeldes. 
A narrativa nos mostra como um homem arrependido é capaz de semear a esperança e de contagiar pequenas almas incrédulas a acreditar na salvação se tornando uma espécie de herói dos tempos modernos.





 Sam Childers (real)





A MASSAI BRANCA - uma história de amor







A massai branca (2005)
autor: Corinne Hofmann
editora: Geração editorial - ediouro


O romance autobiográfico A massai branca, conquistou desde seu lançamento em 2005, cerca de 4milhões de leitores em 24 países, sendo traduzido para 19 idiomas.

No livro, a suíça Corinne Hofmann narra sua aventura amorosa com um guerreiro massai durante sua estadia na África, e as consequências dessa paixão.
Corinne então com 26 anos, conhece Lketinga, guerreiro da tribo massai, durante uma viagem com seu namorado ao Quênia, e se apaixona.
Cerca de um ano depois, ela abandona sua confortável vida na Suiça, para se entregar à seu amor.
Conhecidos como "as últimas pessoas não civilizadas da África", os massais possuem especifidades culturais incríveis, que Corinne muitas vezes não compreende.
Durante quatro anos, Corinne vive seu amor em uma tribo isolada, sem entender o idioma local, onde contraiu hepatite e cinco vezes malária, alimentando-se a base de carne de cabra e dando luz à uma menina.

É uma incrível história de como o amor, pode levar as pessoas à seus extremos, sendo submetidas as mais inacreditáveis situações e o momento certo de renunciar aos sentimentos em virtude de algo superior.


P.S: O livro deu origem ao filme homônimo dirigido pela diretora alemã Hermine Huntgeburth.






Corinne e sua filha


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