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WHAT I BE- definições que machucam

Durante nossa incessante busca por uma identidade, muitas vezes esbarramos em certas rotulações que nos acompanham para o resto de nossas vidas. Estas imposições sociais de rótulos e definições, muitas vezes se transforma em vulnerabilidades que nos atormenta. Pensando no incômodo gerado por tais práticas, o fotógrafo Steve Rosenfield reuniu mais de mil pessoas em um projeto que visava dar respostas a estereótipos que elas mesmas ou a sociedade lhes impuseram e para isto ele propôs como lema "construir segurança através das inseguranças".
Os participantes do projeto foram orientados a completar a frase "eu não sou..." com algo que lhes perturbavam. Ao fotografar estas pessoas Rosenfield espera ajudar cada um deles a compreender tudo com o que precisam lidar e ao mesmo tempo entenderem que não são aquelas coisas que as definem.

"eu não sou meu aborto" 
- assassina -


"eu não sou meus arrependimentos"
- vagabunda, drogada, estúpida -


"eu não sou minha autodefesa"
 - atenção: afaste-se -


"eu não sou meu câncer"
 - frágil -


"eu não sou minha cor"
 - sim, sou negra -


"eu não sou minhas drogas"
 - prostituta -


"eu não sou minhas dúvidas"
 - certo/errado -


"eu não sou minha etnia"
 - exótica -


"eu não sou meu gênero"
 - eu era um homem -


"eu não sou minha invasão"
 - molestada -


"eu não sou um número"
- f** Hitler -


"eu não sou o meu país"
 - volte para o Iraque -


"eu não sou minha sensibilidade"
 - pare de chorar -


"eu não sou minha timidez"
- invisível -

RAIO-X DO AMOR- artistas retratam abraços de casais através de Raio-X



Dois estudantes da Musashino Art University,  no Japão, Ayako Kanda e Mayuka Hayashi, tiveram a curiosa e criativa iniciativa de criar uma obra de arte na qual usariam uma máquina de raio-X e um tomógrafo.
A intenção dos alunos era demonstrar a "natureza finita" do corpo humano, frente a um sentimento tão profundo como o amor.
Kanda e  Hayashi usaram um scanner CT e uma máquina de raio-X para fotografar quatro casais em abraços íntimos e o resultado foi tão surpreendente que eles ganharam o Prêmio de Designer Mitsubishi Chemical júnior pela sua ideia.
Fugindo do conceito tradicional das imagens que retratam casais, os artistas buscaram explicitar a profundidade das relações íntimas, o poder e as consequências ocultas dos envolvimentos amorosos.
Enquanto as fotografias podem ser uma simples extensão de raios-X médicos, eles pintam um quadro ainda misterioso íntimo das relações humanas.






PROJETO UNBREAKABLE - palavras que ferem

Segundo um estudo divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em seu site oficial, em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres será vítima ou sofrerá tentativa de estupro durante sua vida, sendo que pesquisas indicam que normalmente os agressores fazem parte do mesmo ciclo social da vítima e ainda de acordo com a Organização Mundial de Saúde cerca de 47% das mulheres afirmam que a primeira relação sexual foi forçada -ainda que psicologicamente- pelo parceiro. Estes fatores podem ser justificados por uma implícita 'cultura do estupro' ainda vigente em pleno século XXI, que fomentada pela secularização da visão de "macho alfa" que impõe seus desejos e sua virilidade sob o frágil sexo oposto e posteriormente sob os homossexuais, no que chamamos formalmente de machismo, e em uma política absurda de segregação e permutação de culpa que apresenta a vítima como eventual responsável pelo crime sofrido por ela, o que gera um enorme embate social e constrangimentos significativos para a mesma .
 Baseado nessa realidade e partindo da proposta de amenizar os traumas sofridos pelo estupro, a fotógrafa Grace Brown iniciou em 2011 o projeto Unbreakable (inquebrável), no qual vítimas de abusos sexuais são fotografadas exibindo em um cartaz uma frase que o algoz deferiu no momento do ato e que permeou a mente do agredido.
O projeto que conta atualmente com mais de 400 depoimentos visuais, se tornou um fenômeno de popularidade e foi aderido como um objeto de defesa e luta contra os crimes sexuais, uma vez que de maneira lirista, confronta o público para uma reflexão em torno do sofrimento gerado por tal ato.

Segundo Monica Moss, uma das vítimas fotografada por Grace, "é uma forma de vítimas tomarem de volta o poder sobre as palavras que foram usadas contra elas".


"Se alguém descobrir eu te matarei". Meu pai.


             "Se alguém descobrir ninguém mais vai querer algo com você". Minha mãe após me levar para abortar o bebê do meu pai.


"Não podemos confrontar seu tio" Meus pais (eu tinha dez anos)


“Seus pais foram jantar, mas não se preocupe – eu vou cuidar de você.”


“Ande logo e arrume essa bagunça” – ele se referindo ao sangue e sêmen no chão.


“Ninguém vai acreditar em você. Sou seu marido – é a sua palavra contra a minha”


“O que temos é tão especial, que as outras pessoas não vão entender.”


"Isso é o que os pais fazem com as suas filhinhas. Você sabe que te amo."


"Isso é bom, não é?" (eu tinha 6 anos)


"Você gosta disso?"


"Não vão acreditar em você. Vão pensar que você é louca. Ninguém nunca mais vai te amar." Meu tio, quando eu tinha 3,4,5,6 e 7 anos


“Você é bonita demais pra ser lésbica.”


“Pare de fingir que você é um ser humano.”


“Você é uma menina má, não eu. Se lembre que você começou tudo isso.”


tumblr oficial do projeto:

MENINA DOS OLHOS - Tiê e a nova face da música brasileira


A termologia MPB surgida em meados do século XX, foi aplicada e definida como gênero musical apenas a partir da segunda metade dos anos de 1960 para distinguir a segunda geração da Bossa Nova.
Tendo como intuito inicial a defesa fiel das raízes da música brasileira e despontando como ícones maiores desse novo gênero os célebres Chico Buarque, Gilberto Gil e Elis Regina, a MPB evoluiu com o tempo e incorporou em seu viés novos ritmos, estilos e personalidades.
Na última década o cenário de música brasileira assistiu um crescente surgimento de novas cantoras que contribuiu de forma decisiva para repaginar ainda mais a noção da MPB, que figura atualmente como um gênero acolhedor e suscetível à mudanças e incorporações de especificidades, uma dessas talentosas cantoras é Tiê.


Dona de uma beleza marcante, um carisma surpreendente e um nome inusitado, Tiê Gasparinetti Biral, despertou ainda jovem sua audácia e coragem que seriam suas características definitivas.
Nascida em uma família de classe média, com apenas 13 anos Tiê ingressou no mundo da moda sem, no entanto, esquecer suas afinidades musicais.
No ano de 2000 a jovem embarcou para uma temporada de um ano em Nova York onde estudou música, expressão corporal e aperfeiçoamento vocal. De volta ao Brasil e decidida a dedicar-se ao cenário musical, ela começou a fazer shows em bares e casas de shows  de pequeno porte.


A meiguice melódica da cantora despertou o interesse crítico que logo a elegeu uma das mais promissoras vozes brasileira, e em 2007 ela gravou em parceria com Dudu Tsuda (tecladista da conceituada banda mineira Pato Fu) um EP com quatro musicas.
No ano de 2009 somando 28 anos e em plena maturidade musical, Tiê lançou seu primeiro disco denominado "Sweet Jardim", que trazia dez faixas autorais que gravadas ao vivo teve grande aceitação do público.
O cd trazia além de músicas autobiográficas como "Passarinho", canções arrebatadoras e emocionantes como "A bailarina e o astronauta" que contava com o acompanhamento fiel de sua intérprete ao violão e parcerias importantes como de Toquinho em sua canção-título.


Além de render uma indicação de revelação do Prêmio Multishow de 2010, Sweet Jardim lhe proporcionou shows por todo Brasil e Nova York, uma turnê pela Europa e foi eleito pelo periódico Folha de São Paulo como um dos 50 discos que ajudaram a formar a identidade musical brasileira nos anos 2000.
Entusiasmada pela receptividade alcançada no primeiro trabalho, a cantora lançou em 2011, seu segundo trabalho que recebeu o nome de A coruja e o coração que trouxe releituras de sucessos, além de parcerias e participações especiais como de Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz.



Considerado uma das mais satisfatórias surpresas do cenário musical brasileiro e com um instrumental mais denso que no primeiro cd, a música principal do aclamado "A coruja e o coração" foi a autoral "A varanda da Liz", que tratou-se de uma homenagem que a cantora fez a sua filha.





Com desenvoltura e charme, Tiê vem conquistando ouvidos e corações enquanto se encaminha para o hall das maiores cantoras de todos os tempos.



O PODER DAS ESCOLHAS - como serão os dez últimos anos da sua vida?

Como você pretende passar os últimos dez anos da sua vida?
Diante dessa temática a fundação canadense Heart & Stroke (já conhecida por suas criativas propagandas) criou uma campanha publicitária que expõe a importância das escolhas na vida de cada indivíduo.
Partindo de uma pesquisa realizada no Canadá que revelava que apesar dos canadenses viverem bastante, geralmente os últimos dez anos de vida são marcados pelo aparecimento de doenças; a fundação criou uma campanha com o intuito da reflexão.
Durante a propaganda nos vemos indagados sobre o que nossas escolhas podem gerar para nosso futuro. Dividido em dois planos a inconsequência dos nossos atos é demonstrada em contraponto com a precaução, enquanto sutilmente nos é apresentado a opção de ter uma velhice moribunda ou saudável.




OS HOMENS DESEJAM AS MULHERES QUE NÃO EXISTEM - Arnaldo Jabor


Está na moda - muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!...) me fazem pensar em... Hitler.
Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.
O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!..."
Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.
Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.
A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.
Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?
Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."
Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.
Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam... O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.
A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: super objetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?



ESPELHOS DA MEMÓRIA - a genialidade de Tom Hussey

A proposta da empresa farmacêutica Novartis era promover uma campanha sobre um medicamento de combate ao Alzheimer e para isto confiou a missão ao consagrado fotógrafo publicitário Tom Hussey e o resultado alcançado foi uma das mais belas campanhas publicitárias já feita.
O Alzheimer é uma doença degenerativa que acomete indivíduos idosos e cujo sintoma mais comum é a perda gradativa da memória recente ou incapacidade de memorizar informações novas e, portanto, recorda-las.  A Novartis desenvolve um medicamento administrado a doentes de Alzheimer – o Exelon Patch – que permite o retardar do declínio cognitivo, tratar alguns dos sintomas e controlar as alterações de comportamento.
Sabendo disto e tendo como base uma conversa que Tom havia tido com um veterano de guerra (Gadner), que prestes a completar 80 anos de idade dizia se sentir ainda um jovem, o fotógrafo decidiu fazer um ensaio fotográfico na qual as pessoas se vissem jovens no espelho, a ideia é simples e já que ninguém existe sem um passado: recordar é viver

"Ele estava prestes a comemorar o seu 80º aniversário e comentou que não entendia como poderia fazer 80 anos de idade e sentir-se ainda um jovem (…). Percebi que toda a gente pensa o mesmo numa determinada fase da sua vida. Construí uma casa de banho e fotografei Gardner olhando para o espelho, vendo-se como um jovem de 25 anos de idade” disse Tom.

A campanha que foi lançada em 2009 (sendo ampliada no ano seguinte) teve grande aceitação do público e ainda hoje tem o poder de emocionar ao mero olhar, utilizando o sugestivo nome "Reflexos" é amplamente perceptível o estilo nostálgico usado pelo fotógrafo.
A sensibilidade e o resultado alcançado por Tom é algo admirável.












Dado complementar:  Em todo o mundo existem mais de 25 milhões de doentes de Alzheimer sendo que aproximadamente 1 milhão são brasileiros.

Conheça outros trabalhos Tom Hussey:
http://www.tomhussey.com

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